A
Confederação Nacional dos Municípios (CNM) estima que 43% das
prefeituras do Brasil fecharão 2015 no vermelho. Esse número está em uma
pesquisa realizada pela instituição com 4.080 municípios do país.
Segundo a pesquisa, o impacto econômico está tendo um efeito direto nos
serviços prestados pelas prefeituras: em 83% delas, serviços de saúde foram afetados, e em 71%, a crise atinge a educação.
A
conjuntura econômica, porém, não é o único problema: há também questões
estruturais que levaram as prefeituras a essa situação. As informações
são de Chico Marés na Gazeta do Povo.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o número de municípios que
vão fechar o ano no vermelho pode ser ainda maior.
A
pesquisa foi feita a partir de questionários, então muitos prefeitos
podem ter desconsiderado o impacto do 13º e do terço de férias no mês de
dezembro. Além disso, quase 1,5 mil municípios não participaram do
levantamento – cerca de 25% do total.
Segundo Ziulkoski, os municípios acabam sendo responsáveis por “pagar o
pato” no lugar da União e dos estados. Por exemplo: 68% das prefeituras
registraram problemas com o recebimento em dia de recursos de convênios
com o governo federal. Outros índices mostram a ausência de repasses dos
estados: 40% dos prefeitos disseram ter problemas com o financiamento
do transporte escolar, área que costuma ser custeada em convênios com os
governos estaduais.
Problemas estruturais
A
crise não explica, porém, os problemas por completo. Para Laerzio
Chiesorin Jr., mestre em Direito do Estado e especialista em Direito
Financeiro, a crise apenas evidencia problemas estruturais ainda mais
graves. Um deles seria a falta de gestão profissional nas prefeituras,
que impossibilita que os recursos disponíveis sejam bem aplicados e que
as ações sejam bem planejadas.
“A quase totalidade dos municípios não tem administradores e economistas
em seus quadros. Então você depende da sorte de eleger um bom
administrador”, diz.
O
resultado disso, aponta, são prefeituras que não conseguem gerir seus
próprios recursos. Gastam em função de conveniência política, têm
dificuldades em pagar fornecedores (o que aumenta o custeio, à medida
que esses fornecedores acabam cobrando mais pelos produtos) e deixam de
tomar medidas que aumentariam a receita por razões exclusivamente
políticas – como, por exemplo, a não atualização das plantas genéricas
de valor dos imóveis para o IPTU.
Ele
ressalta, também, que a estabilidade dos servidores se tornou um
problema para as prefeituras. “Na atual situação, o gestor não tem como
atuar sobre sua maior despesa, que é o funcionalismo.” Além da
obrigatoriedade de manter esses servidores independentemente de sua
produtividade, há ainda o corporativismo: municípios se veem obrigados,
mesmo em tempos de crise, a reajustar os salários do funcionalismo.
Por fim, o excesso de municípios pequenos, economicamente
insustentáveis, agrava a situação. A maioria dos municípios do país não
consegue arrecadar dinheiro suficiente para sustentar suas instituições
políticas. Assim, ficam dependentes dos estados e da União.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Notícias sobre política, sociedade, ocorrências policiais e curiosidades sobre Ponta Grossa, Paraná e Brasil.